
A legendária capa do single "Blue Mondays" (1983) dos New Order e, por exemplo, a capa "Unknown Pleasures" (1979) dos Joy Division, permitiram que o inglês Peter Saville fosse reconhecido no mundo do design gráfico.
Usando um reduzido, estilo Moderno, Peter Saville realizou inovações-chave no campo visual da comunicação e, mais recentemente, produziu um profundo efeito na união entre a arte, o design e a publicidade.
Peter Saville estudou design gráfico no Politécnico de Manchester de 1974 a 1978. A sua já antiga obsessão pela música de Roxy Music, as fotografias de Helmut Newton e Guy Bourdin, o livro "Pionners of Modern Typography" de Herbert Spencer e o manifesto "Die Neue Tipographie" de Jan Tschichold foram as mais relevantes influências de Saville na altura. Elas relembram, ainda hoje, ideais fundamentais na tipografia.
A amizade de Saville com o seu colega e estudante Malcom Garnet, que fazia as capas dos álbuns de Buzzcocks em 1976, viria a ser também um estímulo para os seus projectos. Na altura inusitada, era a insistência de Saville na busca da consciencialização para o passado do design gráfico. Contrariando o que era leccionado e defendido (grafismos livres, creativos e que traduziam o presente), os seus projectos eram reinterpretações do que já havia sido criado.
É nos estúdios do "Granada Television" que, em 1978, Peter Saville conhece o jornalista Tony Wilson. Rapidamente, este contrata Saville para a producção de um cartaz para o seu club alternativo "Factory", em Manchester. No mesmo ano, Saville e Wilson fundaram, juntamente com Alan Erasmus, a discográfica "Factory Records" -o que viria a tornar-se um estúdio mítico no mercado independente.
Com a colaboração de Rob Gretton, manager dos Joy Division e dos New Order e do productor musical Joy Martin Hannet (estes que ficaram sócios da Factory Records) produziram a inconfundível imagem gráfica dos singles lançados na sua discográfica.
Saville criou um novo estilo com as capas para os Joy Division, das quais os New Order mais tarde participariam, e motivo principal para o seu reconhecimento. Este estilo destinguido pelo designer como uma "pós" moderna aparência que brinca com variadíssimas imagens históricas, funcionam como uma reconstrução de um novo sistema de signos. O design estava tão presente nas capas, que incutia ao cd um valor quase secundário. Eram criadas sem objectivos monetários, independentemente da vontade do público.

Blue Monday single para New Order, 1983

"Power and Corruption Lies", capa do album para New Order, 1983
Quadro original de Henri Fantin-Latour

"True Faith", single para New Order, 1987
Um dos seus projectos mais controversos viria a ser a capa do último álbum dos Joy Division, "Closer", realizada pouco depois do suicídio de Ian Curtis, em Maio de 1980. O corpo de Cristo decapitado na capa, viria a ser motivo de interrogações sobre a ligação de Peter Saville com o vocalista da banda. Tal como a revista de rock "New Musical Express" confirmou, no seu estúdio existiam diversos registos que provavam que a realização do seu projecto, teria sido executada antes do suicídio de Curtis. Apesar disto, em 1995, a capa de Saville para o album dos New Order, " Corruption and Lies" de 1983, foi considerado um dos 25 maiores ícones britânicos.
Em 1979, Peter Saville muda-se para Londres, onde se torna director artístico da "Din Disc", discográfica que posteriormente seria subsidiada pelo grupo "Virgin". Durante este tempo, projectou capas de álbuns para diversos músicos, tal como Roxy Music e OMD. Depois da fragmentação da Din Disc, em 1982, Saville funda com o designer Brett Wickens e com o fotógrafo Trevor Key, o seu próprio estúdio- Peter Saville Associates (PSA), no qual desenvolve a maioria do arquivo gráfico que hoje é reconhecido.
Nesta época, o seu trabalho voltou a estar na moda graças a uma nova geração que crescera a acompanhar os seus trabalhos para a Factory Records, além da moda e da publicidade que realizava até então. De facto, a agência Miére & Miére, e as bandas Pulp e Suede eram todas adolescentes na época das primeiras capas do designer para os "New Order".
Da mesma forma em que se mantinha activo no mundo musical, trabalhava em parceria com o fotógrafo Nick Knight. A partir de 1986, ambos realizaram propostas para o criador japonês Yohji Yamamoto. Mais tarde, Saville viria a trabalhar também para estilistas como Alexander Mc Queen, Givenchy, Dior, Stella McCartney e Raf Simons, este último que utilizou os registos da Factory como inspiração para a sua colecção de verão de 2003.
No campo da comunicação visual, Peter Saville extendeu os seus meios para empresas como a CNN e a Adobe Systems, no presente, está a actuar como principal director creativo da sua cidade natal, Manchester.
A influência de Saville foi também essencial (e evidenciada nos anos 80) entre outras coisas, devido às imagens corporativas de que foi responsável em instituições de arte. Fruitmarket Gallery e Whitechapel Gallery, foram duas galerias que contaram com os seus projectos. Artistas como Julian Schnabel e Robert Lungo viriam inclusivé a apropriae-se de detalhes das suas capas para as suas obras.

"Game Over" para Yohji Yamamoto,1991

"Coming Up" para Suede, 1996
No ínicio dos anos 90, o seu design "cool" causou impressão no YBA (Youth British Artists), daí Saville ter sido uma imagem fundamental e insubstituível na cultura Pop. Os campos da arte, moda, design gráfico, fotografia, música, estão ao contrário de algumas opiniões, intrisecamente ligados, apesar disso, raramente se alimentam e constroem mutuamente.
Nos anos 70 e sobretudo nos anos 80, Peter Saville provou na perfeição, que esta poderia ser uma relação saudável, daí ter enriquecido relevantemente a noção de design que ainda hoje se pratica. O seu trabalho fez parte da cultura Pop, esta que se identificava como extremamente emocional, na moda e que proclamava e ênfase do estilo "cold". Nos anos 80, o Pop foi celebrado como sendo uma sub-cultura, hoje, é parte integrante da nossa cultura visual.

Colour and Form, 2002

Waste Painting, 2001
Os projectos de Saville foram exibidos internacionalmente numa retrospectiva que esteve no London´s Design Museum e posteriormente em Tóquio e Manchester. A sua primeira exposição num museu de arte contemporânea foi a "Estate", no Mignos Museum, em Zurique. O seu trabalho é notável por articular uma inusual elegância com a sua incrível aptidão em identificar imagens do passado que se adaptam a momentos futuros.
A reputação do designer por desenvolver o design na cidade de Manchester a partir de 1980, valeram-lhe o reconhecimento e uma condecoração da "Manchester Metropolitan University". O seu carisma e a sua contribuição para o design gráfico ficaram consolidados quando o London´s Design Museum exibiu o conjunto da sua obra, em 2003. Dada a sua já usual inaptidão para cumprir prazos, o museu não chegou a contratar Saville para realizar o material de divulgação da exposição. Actualmente, os projectos de Saville continuam em exposição.
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