O movimento New Wave surgiu das cinzas do movimento punk no começo dos anos 80. Basicamente americano, o "movimento" foi um badalar de muitos estilos. Pós Punk, New Romantic, Pop Eletrônico foram algumas das caras da "Nova Onda". Em todo o mundo invadiu as pistas de dança em meados dos anos 80, misturando roupas e cabelos coloridos. Do pop do Culture Club, passamos por ícones como David Bowie com "Modern Love". O new romantic do Classix Nouveaux e Adam Ant dão o toque inglês ao movimento.
Também no design e na arte tudo isto se fez sentir, e partir da segunda metade dos anos 60, a monótona uniformização do
design ocidental, começa a ser contestada, quando alguns jovens designers suíços (Oder matt & Tissi em Zurique e Wolfgang Wein gart, em Basle, entre outros) começam a propor alternativas não-dogmáticas, mais descontraídas (retorno à ornamentação, ao simbolismo, ao humor e à improvisação), para fugir da esterilidade das formas modernistas. Essa rejeição espalha-se aos poucos pelas escolas norte-americanas, a partir dos anos 70, trazida por ex-alunos norte-americanos de
Weingart (como April Gre i man) que dão origem ao estilo expressionista/intuitivo da New Wave, que surge nos EUA e também
ganha adeptos em países europeus, graças aos trabalhos, por exemplo, de Neville Brody e Peter Saville em Inglaterra.
sábado, 30 de junho de 2007
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Peter Saville

A legendária capa do single "Blue Mondays" (1983) dos New Order e, por exemplo, a capa "Unknown Pleasures" (1979) dos Joy Division, permitiram que o inglês Peter Saville fosse reconhecido no mundo do design gráfico.
Usando um reduzido, estilo Moderno, Peter Saville realizou inovações-chave no campo visual da comunicação e, mais recentemente, produziu um profundo efeito na união entre a arte, o design e a publicidade.
Peter Saville estudou design gráfico no Politécnico de Manchester de 1974 a 1978. A sua já antiga obsessão pela música de Roxy Music, as fotografias de Helmut Newton e Guy Bourdin, o livro "Pionners of Modern Typography" de Herbert Spencer e o manifesto "Die Neue Tipographie" de Jan Tschichold foram as mais relevantes influências de Saville na altura. Elas relembram, ainda hoje, ideais fundamentais na tipografia.
A amizade de Saville com o seu colega e estudante Malcom Garnet, que fazia as capas dos álbuns de Buzzcocks em 1976, viria a ser também um estímulo para os seus projectos. Na altura inusitada, era a insistência de Saville na busca da consciencialização para o passado do design gráfico. Contrariando o que era leccionado e defendido (grafismos livres, creativos e que traduziam o presente), os seus projectos eram reinterpretações do que já havia sido criado.
É nos estúdios do "Granada Television" que, em 1978, Peter Saville conhece o jornalista Tony Wilson. Rapidamente, este contrata Saville para a producção de um cartaz para o seu club alternativo "Factory", em Manchester. No mesmo ano, Saville e Wilson fundaram, juntamente com Alan Erasmus, a discográfica "Factory Records" -o que viria a tornar-se um estúdio mítico no mercado independente.
Com a colaboração de Rob Gretton, manager dos Joy Division e dos New Order e do productor musical Joy Martin Hannet (estes que ficaram sócios da Factory Records) produziram a inconfundível imagem gráfica dos singles lançados na sua discográfica.
Saville criou um novo estilo com as capas para os Joy Division, das quais os New Order mais tarde participariam, e motivo principal para o seu reconhecimento. Este estilo destinguido pelo designer como uma "pós" moderna aparência que brinca com variadíssimas imagens históricas, funcionam como uma reconstrução de um novo sistema de signos. O design estava tão presente nas capas, que incutia ao cd um valor quase secundário. Eram criadas sem objectivos monetários, independentemente da vontade do público.

Blue Monday single para New Order, 1983

"Power and Corruption Lies", capa do album para New Order, 1983
Quadro original de Henri Fantin-Latour

"True Faith", single para New Order, 1987
Um dos seus projectos mais controversos viria a ser a capa do último álbum dos Joy Division, "Closer", realizada pouco depois do suicídio de Ian Curtis, em Maio de 1980. O corpo de Cristo decapitado na capa, viria a ser motivo de interrogações sobre a ligação de Peter Saville com o vocalista da banda. Tal como a revista de rock "New Musical Express" confirmou, no seu estúdio existiam diversos registos que provavam que a realização do seu projecto, teria sido executada antes do suicídio de Curtis. Apesar disto, em 1995, a capa de Saville para o album dos New Order, " Corruption and Lies" de 1983, foi considerado um dos 25 maiores ícones britânicos.
Em 1979, Peter Saville muda-se para Londres, onde se torna director artístico da "Din Disc", discográfica que posteriormente seria subsidiada pelo grupo "Virgin". Durante este tempo, projectou capas de álbuns para diversos músicos, tal como Roxy Music e OMD. Depois da fragmentação da Din Disc, em 1982, Saville funda com o designer Brett Wickens e com o fotógrafo Trevor Key, o seu próprio estúdio- Peter Saville Associates (PSA), no qual desenvolve a maioria do arquivo gráfico que hoje é reconhecido.
Nesta época, o seu trabalho voltou a estar na moda graças a uma nova geração que crescera a acompanhar os seus trabalhos para a Factory Records, além da moda e da publicidade que realizava até então. De facto, a agência Miére & Miére, e as bandas Pulp e Suede eram todas adolescentes na época das primeiras capas do designer para os "New Order".
Da mesma forma em que se mantinha activo no mundo musical, trabalhava em parceria com o fotógrafo Nick Knight. A partir de 1986, ambos realizaram propostas para o criador japonês Yohji Yamamoto. Mais tarde, Saville viria a trabalhar também para estilistas como Alexander Mc Queen, Givenchy, Dior, Stella McCartney e Raf Simons, este último que utilizou os registos da Factory como inspiração para a sua colecção de verão de 2003.
No campo da comunicação visual, Peter Saville extendeu os seus meios para empresas como a CNN e a Adobe Systems, no presente, está a actuar como principal director creativo da sua cidade natal, Manchester.
A influência de Saville foi também essencial (e evidenciada nos anos 80) entre outras coisas, devido às imagens corporativas de que foi responsável em instituições de arte. Fruitmarket Gallery e Whitechapel Gallery, foram duas galerias que contaram com os seus projectos. Artistas como Julian Schnabel e Robert Lungo viriam inclusivé a apropriae-se de detalhes das suas capas para as suas obras.

"Game Over" para Yohji Yamamoto,1991

"Coming Up" para Suede, 1996
No ínicio dos anos 90, o seu design "cool" causou impressão no YBA (Youth British Artists), daí Saville ter sido uma imagem fundamental e insubstituível na cultura Pop. Os campos da arte, moda, design gráfico, fotografia, música, estão ao contrário de algumas opiniões, intrisecamente ligados, apesar disso, raramente se alimentam e constroem mutuamente.
Nos anos 70 e sobretudo nos anos 80, Peter Saville provou na perfeição, que esta poderia ser uma relação saudável, daí ter enriquecido relevantemente a noção de design que ainda hoje se pratica. O seu trabalho fez parte da cultura Pop, esta que se identificava como extremamente emocional, na moda e que proclamava e ênfase do estilo "cold". Nos anos 80, o Pop foi celebrado como sendo uma sub-cultura, hoje, é parte integrante da nossa cultura visual.

Colour and Form, 2002

Waste Painting, 2001
Os projectos de Saville foram exibidos internacionalmente numa retrospectiva que esteve no London´s Design Museum e posteriormente em Tóquio e Manchester. A sua primeira exposição num museu de arte contemporânea foi a "Estate", no Mignos Museum, em Zurique. O seu trabalho é notável por articular uma inusual elegância com a sua incrível aptidão em identificar imagens do passado que se adaptam a momentos futuros.
A reputação do designer por desenvolver o design na cidade de Manchester a partir de 1980, valeram-lhe o reconhecimento e uma condecoração da "Manchester Metropolitan University". O seu carisma e a sua contribuição para o design gráfico ficaram consolidados quando o London´s Design Museum exibiu o conjunto da sua obra, em 2003. Dada a sua já usual inaptidão para cumprir prazos, o museu não chegou a contratar Saville para realizar o material de divulgação da exposição. Actualmente, os projectos de Saville continuam em exposição.
Neville Brody

Nos anos 70 e 80, assistimos a um fortíssimo revivalismo da tipografia desconstrutivista dos anos 20. O protagonista-mor desta orientação foi o "angry young man" Neville Brody, um designer gráfico britânico.
Brody estudou design gráfico no London College of Printing entre 1976 e 1979, zangou-se e desistiu do curso academico; começou a sua carreira a criar grafismos para grupos de musica Punk e Indie-Labels (hoje Brody trabalha para clientes como a multinacional Nike).
Director de arte e tipógrafo, Neville Brody mergulhou no universo da música independente ainda no início dos anos 80, construindo rapidamente uma reputação pela qualidade experimental do seu trabalho gráfico. Os seus primeiros trabalhos foram capas de discos para gravadoras alternativas, onde começou a tomar forma uma linguagem inconfundível – que o tornaria um dos profissionais mais conhecidos do design gráfico internacional.

Na década de 80 esteve no comando da revista Face, onde desenvolveu um trabalho experimental responsável por revolucionar o design gráfico editorial.
Os layouts da revista The Face são um impressionante mostruário dos extraordinários recursos criativos de Brody, e da sua inovação na arte de compor um spread. Transita para a Arena e cria novos títulos para City Limits e a revista New Socialist.
Muitas capas da CBS, Virgin, EMI e WEA saem do seu estúdio. Os clientes da sua nova agência de comunicação em Londres – Research Sudio – já são consórcios como a Nike, a Mont Blanc, ou reputadas instituições culturais como o Museum of Modern Art ou a Kunsthalle der Bundesrepublik em Bona.

Faz novos layouts para as revistas de moda Lei e Per Lui. Em parceria com o ágil Erik Spiekermann, Brody funda a distribuidora online Fontshop e começa a ganhar bem com a tipografia digital.
Uma das muitas fontes aí vendidas é a FF World- Two, da autoria de Brody. Esta teve origem nas letras experimentais que havia desenhado para o layout do artigo «Warhol».
Dirigiu diversas outras publicações, assim como reformulou os jornais londrinos The Guardian e Observer, implementando projetos de enorme qualidade técnica e ainda assim explorando os limites da comunicação visual. Nos seus trabalhos Brody exercitava a ferramenta tipográfica como poucos, muitas vezes desenvolvendo fontes digitais posteriormente lançadas no mercado. Em 1990 abre junto a Stuart Jensen a distribuidora Fontworkse e lança a revista experimental de tipografia FUSE.




Ainda em 1988 publica a primeira de suas duas coletâneas 'The graphic language of Neville Brody 1 e 2' que rapidamente se transforma num fenómeno de vendas no mercado editorial de design. Juntamente com o sócio Fwa Richards em 1994, Brody abre as portas da Research Studios: agência de design cedeada em Londres onde viria a consolidar sua actuação no mercado editorial e corporativo. Desenvolve projectos para clientes espalhados por todo o mundo, como Japão, Holanda, França, Áustria, Alemanha, Reino Unido e Brasil. Actualmente a agencia conta com filiais em Berlin, Nova Iorque e Paris.
Em 1992 a empresa de correios Dutch PTT contrata Neville Brody para desenvolver um conjunto de selos comemorativos da mostra Floriade - a maior e mais tradicional exposição de flores da Holanda. Nessa oportunidade, Brody usa pela primeira vez num projecto comercial o programa de manipulação de imagens Photoshop, lançado pela Adobe em 1990. O trabalho desenvolvido ao longo de 4 meses é o resultado de uma intensa exploração das capacidades do programa, apresentando uma coleção de imagens onde o designer se aventura com os primeiros recursos de criação digital.




Os layouts da revista The Face são um impressionante mostruário dos extraordinários recursos criativos de Brody, e da sua inovação na arte de compor um spread. Transita para a Arena e cria novos títulos para City Limits e a revista New Socialist.
Muitas capas da CBS, Virgin, EMI e WEA saem do seu estúdio. Os clientes da sua nova agência de comunicação em Londres – Research Sudio – já são consórcios como a Nike, a Mont Blanc, ou reputadas instituições culturais como o Museum of Modern Art ou a Kunsthalle der Bundesrepublik em Bona.

Faz novos layouts para as revistas de moda Lei e Per Lui. Em parceria com o ágil Erik Spiekermann, Brody funda a distribuidora online Fontshop e começa a ganhar bem com a tipografia digital.
Uma das muitas fontes aí vendidas é a FF World- Two, da autoria de Brody. Esta teve origem nas letras experimentais que havia desenhado para o layout do artigo «Warhol».
Dirigiu diversas outras publicações, assim como reformulou os jornais londrinos The Guardian e Observer, implementando projetos de enorme qualidade técnica e ainda assim explorando os limites da comunicação visual. Nos seus trabalhos Brody exercitava a ferramenta tipográfica como poucos, muitas vezes desenvolvendo fontes digitais posteriormente lançadas no mercado. Em 1990 abre junto a Stuart Jensen a distribuidora Fontworkse e lança a revista experimental de tipografia FUSE.




Ainda em 1988 publica a primeira de suas duas coletâneas 'The graphic language of Neville Brody 1 e 2' que rapidamente se transforma num fenómeno de vendas no mercado editorial de design. Juntamente com o sócio Fwa Richards em 1994, Brody abre as portas da Research Studios: agência de design cedeada em Londres onde viria a consolidar sua actuação no mercado editorial e corporativo. Desenvolve projectos para clientes espalhados por todo o mundo, como Japão, Holanda, França, Áustria, Alemanha, Reino Unido e Brasil. Actualmente a agencia conta com filiais em Berlin, Nova Iorque e Paris.
Em 1992 a empresa de correios Dutch PTT contrata Neville Brody para desenvolver um conjunto de selos comemorativos da mostra Floriade - a maior e mais tradicional exposição de flores da Holanda. Nessa oportunidade, Brody usa pela primeira vez num projecto comercial o programa de manipulação de imagens Photoshop, lançado pela Adobe em 1990. O trabalho desenvolvido ao longo de 4 meses é o resultado de uma intensa exploração das capacidades do programa, apresentando uma coleção de imagens onde o designer se aventura com os primeiros recursos de criação digital.




Offf 2007
No passado mês de Maio, tivemos o prazer de presenciar uma conferência dada por Neville Brody (em conjunto com Joshua Davis) no âmbito do festival Off. Parte das suas explicações, traduziram os ideais que estavam por detrás de cada projecto, comprovando mais uma vez o impacto que teve e que continua a possuir.
Neville Brody demonstrou o desenvolvimento do seu trabalho como algo sólido e evolutivo, que continua a acompanhar as principais questões sociais. Desta forma, concluímos que a sua actividade é realmente fundamental não só no campo do design, mas como objecto construtor da cultura visual contemporânea.



Neville Brody demonstrou o desenvolvimento do seu trabalho como algo sólido e evolutivo, que continua a acompanhar as principais questões sociais. Desta forma, concluímos que a sua actividade é realmente fundamental não só no campo do design, mas como objecto construtor da cultura visual contemporânea.

sexta-feira, 15 de junho de 2007
Proposta

Numa sociedade efémera, em que o ritmo acelarado das transformações provoca o esquecimento do passado, há que possuir uma actitude sensata, que consciencialize o público para a importância das referências históricas. Esta foi o noção mais presente no desenvolvimento do nosso projecto.
Peter Saville e Neville Brody são dois nomes marcantes no campo do design. De facto, as suas contribuições não se resumem a meras alterações nesta área, mas sim a um acréscimo profundo e importante no contexto cultural e visual que presenciamos.
Após uma devida pesquisa, concluímos que ambos tinham presente o passado de forma a melhor interpretar o futuro. As raízes da maioria dos seus projectos, são fundamentadas em diversas propostas de artistas, músicos, autores, etc de épocas passadas, e desta forma, são o resultado de reinterpretações e modelações para com a sociedade contemporânea.
Neste contexto, consideramos relevante desenvolver um projecto que traduzisse preocupações no ambiento interventivo e educacional. De facto, consideramos que existe não só um desligamento temporal entre o que foi realizado no passado, e a consciência presente desse mesmo, como também que existe uma barreira que afasta o criador e o público, e que talvez seja este um factor crucial para um maior desconhecimento de referências históricas.
Observamos frequentemente, que a maioria dos projectos de design acaba por ficar reduzido a determinados grupos que com ele estão mais familiarizados, e mesmo estes, quando questionados sobre os verdadeiros ideais que por eles são transmitidos ficam com dúvidas em relação ás suas intenções.

Assim, o projecto consiste basicamente em criar um género de "corrente visual" junto do público comum. Para isto, munimo-nos de stickers (muito frequentes em Barcelona) de forma a distribui-los e cola-los em diversos pontos, para que assim, fizessem parte do quotidiano dos índividuos. Estes stickers são constituídos por trabalhos dos designer Peter Saville e Neville Brody, visto serem os designers em questão.



Com esta proposta, não procuramos obter resultados práticos, mas sim uma proximidade da sociedade em que vivemos com o campo do design. É uma actitude meramente experimental, mas que no futuro poderá resultar numa melhor sensibilização e reconhecimento dos projectos destes designers pelo público em geral.



Os stickers foram espalhados por pontos estratégicos, nos quais frequentemente passam centenas de indivíduos. Desta forma, mesmo que inconscientemente, acabamos por quebrar a distância que existe entre o que foi realizado no passado e o vivido e por outro lado dar continuidade ás propostas que estes designers executaram.


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